Conferência Eleitoral PSOL: A base tem que decidir!

A Executiva Nacional do PSOL – reunida em 13/01/2018 – aprovou uma resolução regulamentando a Conferência Eleitoral do partido, que definirá sua candidatura à Presidência da República (https://www.psol50.org.br/psol-fara-conferencia-eleitoral-em-marco-para-decidir-candidatura-a-presidencia/). Foi uma pequena vitória de quem luta pela democracia interna. A direção finalmente reconheceu a existência de pré-candidaturas, para além de Guilherme Boulos, e, mesmo que protocolarmente, comprometeu-se com a organização de debates entre os candidatos – algo que já deveria ter ocorrido há tempos. Ainda assim, a resolução tem graves limitações.
Em primeiro lugar, a delegação que tomará a decisão da escolha do representante nas eleições de 2018 contém os vícios existentes na composição do VI Congresso Nacional. Busca-se, assim, repetir a correlação de forças do Congresso, transformando a Conferência num jogo de cartas marcadas. Um absurdo! A base precisa ser chamada a discutir e decidir, elegendo delegados/as em plenárias democráticas!
Em segundo lugar, a decisão não garante as condições mínimas de discussão para que a base do partido possa decidir conhecendo a fundo suas alternativas. Um debate presencial (e alguns debates virtuais – sem uma definição de quantidade) é claramente insuficiente para dar conta de uma conjuntura política particularmente complexa. Para envolver minimamente a base nas discussões, são necessários ao menos cinco debates presenciais, um em cada região do país. Essa é uma meta perfeitamente factível.
Por fim, a decisão sobre alianças eleitorais não está prevista na pauta da Conferência. Esse assunto foi remetido para a Convenção Oficial, ainda sem data definida. O partido precisa decidir o mais rápido possível, com a participação da militância, não só a sua candidatura presidencial, mas também a sua coligação! Não há espaço para dúvidas: os parceiros do PSOL em nível nacional só podem ser o PCB e o PSTU! Deve-se tomar logo a iniciativa de costurar uma Frente de Esquerda com tais setores, que se expresse tanto no terreno eleitoral quanto nas lutas sociais.
A escolha da candidatura presidencial será uma das definições mais importantes do PSOL em 2018. É um sério erro tratar tal questão de forma burocrática, sem o envolvimento da militância, como se o resultado estivesse dado de antemão e fosse preciso apenas formalizá-lo. Esse não é o método de um partido socialista, mas de uma máquina eleitoral sem vida orgânica, comandada por caciques. Convocamos a militância a pressionar a direção a corrigir os rumos da conferência e a impulsionar por todos os meios a sua disposição o debate democrático para a definição do programa e do candidato que representará o PSOL em 2018. Exigimos uma Conferência Eleitoral verdadeiramente democrática!