Pela construção de uma Frente de Esquerda Socialista por todo o país

Contribuição de Vinicius Almeida, militante do Comunismo e Liberdade, para a pré-candidatura dePlinio Jr. :
(ilustração de Eduardo Rodrigues)

A crise brasileira atual é parcialmente um reflexo da crise mundial do capitalismo que explodiu em 2008, iniciando uma brutal ofensiva do capital contra o trabalho. De outro lado, é uma consequência da grave crise política que se instaurou no Brasil após os levantes de junho de 2013. As classes dominantes, diante da crise de dominação e de legitimidade do sistema político, iniciaram uma operação que culminou com o impeachment de Dilma Rousseff e o fim do ciclo de governos de conciliação de classes no Brasil, representado pelos governos petistas. Esse cenário motivou uma mudança importante nos rumos da esquerda brasileira. Infelizmente, o novo momento histórico apontou para aumentar a divisão dessa esquerda. De um lado, alguns setores, sob a liderança do MTST, interpretaram a conjuntura como um momento para uma aproximação política e programática com setores do antigo campo lulista. De outro lado, setores, com destaque para o PSTU, apostando na autoconstrução, chegaram a defender o “Fora Todos”, incluindo Dilma.

No contexto que descrevemos acima, a alternativa da Frente de Esquerda Socialista surgiu e obteve resultados positivos, mesmo que não fosse bem-sucedida na missão de conduzir a esquerda brasileira rumo à unidade de intervenção contra os ataques à classe trabalhadora, que já vínhamos sofrendo desde os governos petistas, e agora em ritmo mais profundo e acelerado no governo Temer. A chamada “FES” foi uma iniciativa localizada no Rio de Janeiro, mas com iniciativas irmãs em alguns estados diferentes, como Ceará, São Paulo e Paraná. Seu sentido foi o de questionar a condução do regime burguês e sua seletividade ao afastar Dilma de seu cargo, denunciando que a real razão para tal era o descarte do petismo como instrumento do capital no Brasil, ao mesmo tempo em que apontava para a unidade de todas e todos socialistas do país para a formação de um novo campo social e político alternativo ao petismo.

Companheiros como Plínio Jr. foram apoiadores incondicionais da estratégia da Frente de Esquerda Socialista, que conseguiu intervir de maneira vitoriosa, em unidade com todas as centrais e frentes, na greve geral do 28 de abril e nas mobilizações contra Temer ao longo de 2017. No final de 2017, a iniciativa “Uma resposta socialista para o Brasil” reuniu lideranças do PSOL, PSTU e PCB para um ciclo de debates que rendeu um pontapé inicial a algo vislumbrado pela FES em sua formação.

A compreensão que leva à aposta na FES é a de que a formação de frentes únicas contra ataques à classe trabalhadora devem ser respondidas com ampla unidade de ação e nítida diferenciação política entre os aliados táticos. Estar num mesmo ato contra a Reforma da Previdência de Temer não significa estabelecer, após disso, discussões programáticas com CUT, UNE e outras entidades dirigidas pelo “necrogovernismo”. Compreender que há uma seletividade no ato e velocidade do julgamento de Lula não significa proclamar sua inocência. Passa pelo papel dessa esquerda reconhecer uma autocrítica pela falta de unidade nos últimos dez anos que poderia ter gerado instrumentos e iniciativas que facilitariam a superação da referência de massas no Brasil do PT e de seus instrumentos.

O processo de reorganização da esquerda no Brasil seguirá e deverá ser longo. Nesse cenário, a defesa da unidade programática entre os socialistas e a ampla unidade contra os ataques à classe trabalhadora segue sendo a embocadura ideal da intervenção da esquerda brasileira. É essa proposta que a pré-candidatura de Plínio Júnior aposta e os setores que o apoiam tendem a permanecer defendendo mesmo depois do período de debates presidenciais no partido. Isso passará pela continuação do ciclo de debates com PCB e PSTU, assim como a defesa da construção da Frente de Esquerda Socialista em todo o país. A resposta à crise brasileira deve ser a defesa da ruptura absoluta com o sistema político, econômico e social do capitalismo. Pela construção de uma Frente de Esquerda Socialista em todo o Brasil e rumo a mais uma greve geral contra Temer e seus ataques!