Sem hipocrisia, a “Guerra às drogas” mata gente negra todos os dias!

Contribuição do Mandato Ecossocialista e Libertário do vereador do PSOL Carioca, Renato Cinco, para a pré-candidatura de Plinio Jr. a presidente pelo PSOL:

A política de proibição da maconha e de outras drogas é um fracasso. Além de não reduzir o consumo de ilícitos, promove violência, alimenta a corrupção e funciona para criminalizar a pobreza e militarizar a vida, enquanto gera lucros para o mercado financeiro e a indústria de armas.

O Brasil, um dos países que mais encarcera mulheres e homens no mundo, é um triste exemplo das tragédias promovidas por uma política repressora e proibicionista. E basta olhar para o cenário caótico enfrentado cotidianamente por milhões em diversas cidades brasileiras para perceber que o encarceramento em massa não elimina a violência de nossas vidas. Chacinas no Ceará, massacres nas favelas cariocas, limpeza étnica e social em São Paulo. É assim que se concretiza a dita “guerra às drogas”. Uma política hipócrita e genocida que tem como principal alvo a população negra e pobre. Não há “guerra às drogas”, o que existe é uma guerra aos pobres!

Longe de resolver qualquer problema, as operações policiais nas periferias, com o reforço das forças armadas, apenas ilustram a desigualdade no Brasil. Enquanto os meios de comunicação transmitem ao povo a ideia de medo e insegurança, o combate ao crime vira o legitimador da manutenção do estado de exceção nas periferias. Quem usa drogas vai ao cárcere como traficante e cerca de 60% das pessoas encarceradas por tráfico nunca pegaram em armas, são uma espécie de camelôs da droga.

Defender a legalização das drogas também é dizer não à violência que existe hoje. A legalização da produção, comercialização e uso da maconha – que ocupa cerca de 90% do mercado de drogas ilícitas, por exemplo, enfraqueceria o tráfico.

Em tempos tão duros é fundamental que possamos falar sobre outra política de drogas, que priorize a vida em detrimento da morte e encarceramento de uma parte específica da população: mulheres e juventude negra.

Além de promover a barbárie, a criminalização das drogas impede que possamos elaborar políticas respaldadas na redução de danos e capazes de tratar de maneira digna quem desenvolva o uso problemático de determinadas substâncias. Uma rede de atenção em Saúde Mental é fundamental, assim como também é urgente discutir o uso medicinal da maconha. A Cannabis contribui com a melhoria na qualidade de vida de pessoas portadoras de diversas síndromes: convulsões reduzem de centenas para três ou menos por semana. Além disso, há registros de que o uso do canabidiol promove melhoras em sintomas como ataques de agressividade e autoflagelação, hiperatividade e falta de contato visual.

Portanto, é preciso que a luta pela legalização das drogas esteja na centralidade de nossos debates. Para que não se justifique o extermínio com o pretexto de “guerra às drogas” e para que uma outra política de drogas seja possível.

Basta de Guerra Aos Pobres! Legaliza!

(ilustrações originais de Laerte e Angeli para a campanha Da Proibição Nasce o Tráfico)